Se você está pensando em fazer a transição capilar, provavelmente já passou um bom tempo olhando para o próprio cabelo e pensando: será que é isso mesmo? Talvez você esteja cansada da química, do toque duro, do cabelo que quebra mais do que cresce. Ou talvez você só queira, finalmente, conhecer o fio que nasceu com você. A transição é um processo que tem início, meio e fim, e que fica muito mais leve quando você sabe o que está vindo. Esse texto é pra isso: te contar como funciona, o que vai aparecer no caminho e como atravessar essa fase sem largar tudo na primeira semana difícil.
Transição capilar é o período em que o cabelo quimicamente tratado vai sendo substituído pelo fio natural. Pode ser saindo de uma progressiva, de um relaxamento, de uma escova definitiva ou de qualquer outro processo que tenha mudado a estrutura do seu fio.
Durante esse tempo, você vai ter dois tipos de cabelo na mesma cabeça: o processado, que é a parte que já sofreu a química, e o natural, que é o novo crescimento que sai da raiz sem nenhuma intervenção. Essa convivência entre os dois é o coração da transição, com toda a beleza e toda a trabalheira que ela traz.
O tempo de processo varia muito. Quem tem cabelo curto pode concluir a transição em poucos meses.
Antes de qualquer coisa, para de usar a química. Parece óbvio, mas é o passo que muita gente adia. Enquanto o processo continua sendo aplicado, a transição não começa de verdade. Então a primeira decisão é essa: a última química já foi a última.
Se faz tempo que você usa química, pode ser que você não saiba direito como é o seu cabelo sem ela. O primeiro crescimento natural vai te dar as primeiras pistas: se o fio e ondulado, cacheado ou crespo, qual a espessura, como ele reage a umidade. Nao tira conclusão definitiva do primeiro centímetro que aparece na raiz: o fio natural muda conforme cresce e conforme você aprende a cuidar dele.
Não precisa ir logo de cara, mas quando for, vai a um lugar que conheça transição capilar de verdade. Um profissional bom vai avaliar o estado do seu fio processado, te explicar o que esperar nos próximos meses e já te orientar sobre como cuidar das duas texturas ao mesmo tempo.
Comece com o básico: hidratação uma vez por semana, finalização com produtos sem sulfato e sem silicone no shampoo. Conheça a linha Pro que vai te ajudar na reconstrução e a linha Alecrim que contribui para o crescimento e fortalecimento.
Cada transição é única, mas existe um caminho que quase todo mundo percorre. Conhecer as etapas ajuda a não se assustar quando elas chegam.
Nos primeiros meses, tudo parece possível. O cabelo natural começando a aparecer na raiz é uma novidade boa. Você ainda não tem volume de fio natural suficiente para sentir a diferença de textura com força, então o convívio entre os dois tipos de cabelo ainda é relativamente tranquilo.
Aproveita esse período para pesquisar, experimentar produtos e ir conhecendo o seu tipo de fio. E a fase da curiosidade, e ela é aliada.
Aqui é onde a maioria das pessoas quer desistir, é totalmente compreensível. A linha de demarcação é o ponto visivelmente diferente entre o cabelo natural (na raiz) e o cabelo processado (no comprimento). Ela aparece claramente, o cabelo embaraça muito mais nesta região, pentear doi mas, e o visual fica aquele que ninguém gosta: dois cabelos diferentes na mesma cabeça.
4 técnicas de texturização para quem está passando pela transição capilar
O que ajuda nessa fase: hidratação de reconstrução para fortalecer o fio processado que ainda está no comprimento, finalização cuidadosa para diminuir o atrito entre as duas texturas e, se possível, penteados que abracem as duas ao mesmo tempo, como coques, tranças e penteados com prendedor. Você não precisa esconder o cabelo, mas penteados protetores ajudam a diminuir a quebra na linha de demarcação.
Em algum momento da transição, o corte aparece como opção real. Pode ser um corte gradual, aparando a parte processada aos poucos a cada visita ao salão, ou pode ser o big chop, que é cortar tudo de uma vez e ficar só com o fio natural que já cresceu.
Não existe escolha errada. Existe a que faz mais sentido pra você agora. Quem faz o big chop ganha tempo e leveza imediata, mas precisa estar pronta para lidar com um comprimento muito menor do dia para a noite. Quem prefere o corte gradual preserva o comprimento por mais tempo, mas convive com a linha de demarcação por mais meses.
Quando a última parte processada vai embora, seja pelo corte gradual ou pelo big chop, o cabelo é totalmente teu outra vez. E aqui acontece algo que ninguém avisa direito: pode demorar um pouco até o fio chegar na versão dele que você vai amar.
O cabelo natural precisa de tempo para se definir, de hidratação constante para revelar a textura real e de você aprendendo a manipular um fio que provavelmente é diferente de tudo que você lidou antes. Paciência aqui não é clichê, é literalmente o ingrediente principal.
Cronograma capilar para quem está em transição capilar
Hidratação em primeiro lugar: o fio em transição é exigente, ele já sofreu com a química e precisa de reposição constante de umidade. O fio natural é mais poroso nos primeiros meses e absorve o produto rapidamente. Hidratação semanal não é exagero, é o mínimo.
Cuidado redobrado na linha de demarcação: esse ponto do cabelo é onde a quebra acontece. Pentear com o dedo antes do pente, usar um finalizador específico para a região e nunca puxar o fio nessa área com força são hábitos que preservam o comprimento que você levou meses construindo.
Menos calor, sempre: calor desfaz a cutícula do fio natural antes de ele ter chance de se fortalecer. Se precisar usar calor, protetor térmico antes, temperatura na faixa dos 180 graus e nada de usar fontes de calor em excesso.
Corte as pontas danificadas regularmente: mesmo que você não queira perder comprimento, aparar as pontas do processador regularmente evita que o dano suba pelo fio. Um centímetro a cada dois meses já resolve. Vai parecer que o cabelo não cresce, mas na verdade ele está crescendo e parando de quebrar ao mesmo tempo.
Sabe o que acontece quando a última parte com química vai embora? Uma leveza que é difícil de descrever pra quem não passou. Não é só o cabelo. E a sensação de ter feito o caminho inteiro, de ter cuidado do seu próprio fio com paciência, de ter aprendido a conhecer uma parte de você que a química estava guardado há muito tempo.
Esse dia vai chegar. E quando chegar, você vai entender por que valeu cada semana difícil, cada dia de linha de demarcação, cada penteado improvisado enquanto o natural ainda estava aparecendo. O seu cabelo sempre soube o que queria ser. Você só precisava de tempo para deixar ele mostrar!